Dermatite atópica canina: os defeitos na barreira epidérmica são primários (genéticos) ou secundários à inflamação cutânea?
- Aline Santana
- 28 de jan. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de set. de 2025
Essa é uma pergunta chave dentro da dermatologia veterinária. E entender esses mecanismos nos ajudaria a desenvolver soluções para tratar (ou até mesmo estratégias de prevenção) para a dermatite atópica canina.
Sabemos que os defeitos na barreira cutânea são um dos principais gatilhos que levam ao aumento da permeabilidade epidérmica e à sensibilização alérgica. Ali é onde tudo começa. Mas a grande dúvida é: esses defeitos são primários (geneticamente determinados) ou secundários causados pela inflamação?
Uma pesquisa recente do Dr Daniel Combarros e outros pesquisadores na França investigou exatamente isso. Pra responder essa pergunta, eles usaram um modelo de reconstrução de pele canina 3D que só aí já é uma grande inovação. Depois caracterizaram a expressão de proteínas da barreira epidérmica em células de cães saudáveis e cães com DAC.
Eles descobriram que quando as citocinas inflamatórias (IL-4, IL-13, IL-31 e TNFα) foram adicionadas ao meio de cultura, os queratinócitos atópicos e saudáveis se comportaram de forma semelhante. Sugerindo que as alterações na expressão de proteínas são induzidas pelo ambiente inflamatório, e não por características intrínsecas das células.
Uma das grandes conclusões do estudo é que a redução da expressão das proteínas da barreira epidérmica observada na pele dos cães atópicos não foi reproduzida in vitro, a menos que as citocinas inflamatórias fossem adicionadas. Isso sugere que o ambiente inflamatório é o principal fator responsável pelos defeitos na barreira cutânea, até porque o ambiente inflamatório dificulta a reparação da própria barreira cutânea.
Essa traz respostas valiosas e que podem nos ajudar no futuro a desenvolver melhores estratégias de prevenção e tratamento da DAC. E todos esses dados me reforçam a pensar que a “teoria da barreira epitelial” tanto falada na dermatologia humana deve ser melhor investigada na veterinária.
Palavras chave: pele 3D canina, pele 3D cães, pele sintética cães
Referência
Combarros D, Brahmi R, Musaefendic E, Heit A, Kondratjeva J, Moog F, Pressanti C, Lecru LA, Arbouille S, Laffort C, Goudounèche D, Brun J, Simon M, Cadiergues MC. Reconstructed Epidermis Produced with Atopic Dog Keratinocytes Only Exhibit Skin Barrier Defects after the Addition of Proinflammatory and Allergic Cytokines. JID Innov. 2024 Nov 26;5(2):100330. doi: 10.1016/j.xjidi.2024.100330. PMID: 39811760; PMCID: PMC11730559.
Sobre a autora
Dra Aline Santana é médica veterinária formada pela Universidade Federal de Viçosa, com residência em clínica médica de pequenos animais pela mesma instituição. Possui mestrado e doutorado em Ciências pelo Departamento de Clínica Médica da FMVZ/USP, com período de intercâmbio realizado no exterior (University of Minnesota, Estados Unidos). Desde 2012, Dra. Aline Santana é sócia da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV). Durante o período de 2015 a 2021, atuou como diretora de mídias e colaboradora da SBDV.

















