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A escolha da terapia imunossupressora pode influenciar a microbiota cutânea na dermatite atópica

  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Recentemente, o Dr Richard Gallo, um médico pioneiro nos estudos de microbiota cutânea, publicou um artigo-comentário muito interessante. Ele explica como as diferentes terapias imunossupressoras podem influenciar a abundância do Staphylococcus aureus e a microbiota cutânea de pacientes atópicos humanos.


Segundo ele, as terapias de amplo espectro, como a ciclosporina e os corticosteroides, embora eficazes no controle da inflamação, podem ter um efeito colateral sobre as defesas inatas da pele. Elas podem comprometer a produção de peptídeos antimicrobianos, uma espécie de antibiótico natural da pele, e fazer com que o S. aureus permaneça colonizando a pele mesmo sem sinais clínicos visíveis. Assim que o paciente suspende ou reduz os corticóides, pode haver perpetuação bacteriana e novas crises atópicas já que o S. aureus é um grande impulsionador da doença.


Já em tratamentos direcionados, como dupilumabe e inibidores de JAK, foi observado que os pacientes atópicos tendem a restaurar a capacidade da pele em produzir seus próprios peptídeos antimicrobianos (AMPs), combatendo a colonização patogênica do S. aureus.


Esses dados são da dermatologia humana, mas fazendo o raciocínio da dermatologia comparada, creio que é possível fazer uma correlação com cães atópicos. Muitas vezes a gente escolhe a terapia com corticóides mas será que a longo prazo não pagamos o preço por isso? Obtemos bom controle do prurido e da nflamação, mas será que não estamos perpetuando silenciosamente a disbiose pelo Staphylococcus pseudintermedius igual acontece com S. aureus em humanos?


Essa possível disbiose estafilocócica em cães atópicos poderia manter a barreira cutânea fragilizada e favorecer a recorrência das crises. Ou seja, além dos efeitos deletérios clínicos, os corticoides também podem potencialmente impactar a microbiota cutânea, favorecendo a persistência de estafilococos e dificultando a restauração da homeostase da pele. Seria interessante ver um estudo explorando essa relação na dermatologia veterinária. Entender a relação da microbiota e os diferentes fármacos imunossupressores na veterinária nos ajudaria a controlar melhor as tão comuns piodermites de repetição nos cães atópicos.





Referência

Gallo. Drugs and Bugs in Atopic Dermatitis: Benefits to the Skin Microbiome from Targeted Immunotherapies. J Invest Dermatol. 2026


Dra Aline Santana é Médica Veterinária formada pela Universidade Federal de Viçosa, com residência em clínica médica de pequenos animais pela mesma instituição. Possui mestrado e doutorado em Ciências pelo Departamento de Clínica Médica da FMVZ/USP, com período de intercâmbio realizado no exterior (University of Minnesota, Estados Unidos). 

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