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Esporotricose em gatos: saiba tudo sobre a doença

Atualizado: 28 de out. de 2023

Esporotricose felina: o que é?

A esporotricose é uma doença causada pelo fungo Sporothrix spp, que pode acometer os gatos, cães e, ocasionalmente, ser transmitida aos seres humanos. Essa infecção fúngica é mais comum em regiões com clima quente e úmido, e pode ser adquirida através do contato com o solo, plantas, espinhos ou outros animais infectados.


Epidemiologia e agente etiológico

Os fungos do gênero Sporothrix são um grupo de fungos dimórficos que contabilizam aproximadamente 51 táxons. Os membros desse gênero têm distribuição mundial, particularmente em regiões tropicais e subtropicais como África, Ásia e América do Sul. As espécies comumente isoladas são:

  • Sporothrix brasiliensis

  • Sporothrix schenckii

  • Sporothrix globosa

  • Sporothrix luriei

Aqui no Brasil, a principal espécie isolada em animais ou humanos é o Sporothrix brasiliensis. Antes de 1990, Sporothrix brasiliensis era conhecido apenas no Sudeste do Brasil mas veio ganhando outras regiões ao longo do tempo. Essa espécie também foi recentemente encontrada na Argentina e no Paraguai, e há preocupação de que possa se espalhar para outros países.


Em 2007, o S. brasiliensis foi identificado junto com o S. globosa, S. luriei e S. mexicana. Estudos moleculares revelaram quatro novas espécies dentro do complexo de S. schenckii, além do S. schenckii sensu stricto. O S. brasiliensis foi observado como mais virulento e com uma preferência pela transmissão por gatos. Seguido pelo S. schenckii e S. globosa.


Esporotricose felina no Brasil

Nos últimos anos, observou-se um notável aumento na ocorrência de esporotricose transmitida por gatos no Brasil, documentada em vários estados. No estado do Rio de Janeiro, essa condição é considerada uma epidemia urbana, registrando mais de 5.000 casos de esporotricose zoonótica nas duas últimas décadas.


Além do Rio de Janeiro, reconhecido como o estado mais impactado, pesquisas realizadas em várias regiões, como Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, relataram casos de esporotricose zoonótica no Sul e Sudeste do Brasil.


Patogenia

A patogenicidade dos agentes pode variar segundo a espécie e sua interação com o hospedeiro. Tradicionalmente, a infecção ocorre após uma lesão traumática na pele, através do contato com material vegetal em decomposição (como solo, lascas de madeira, espinhos de rosa, etc.). No entanto, essa infecção também tem sido associada a arranhões e mordidas de animais, principalmente felinos.


Nesses casos, a esporotricose é considerada uma zoonose devido à transmissão do animal para o ser humano, sendo a principal via responsável por surtos em áreas endêmicas. Na esporotricose transmitida por felinos, a infecção se dá por meio de arranhões, mordidas ou contato direto com o exsudato (secreção) das lesões cutâneas ou secreções nasais de gatos doentes.

Esporotricose felina
Fonte imagem: CDC https://www.cdc.gov/fungal/diseases/sporotrichosis/

Tranmissão para humanos

Na esporotricose transmitida por gatos, a infecção ocorre por meio de arranhões, mordidas ou contato direto com exsudato de lesões cutâneas ou secreções de gatos doentes.

Esporotricose em gatos
Fonte imagem: CDC https://www.cdc.gov/fungal/diseases/sporotrichosis/

Atenção: É crucial entender que os gatos não são os vilões nesse cenário. Eles são vítimas da doença tanto quanto os seres humanos. Consulte um médico veterinário para lhe orientar sobre o tratamento e as melhores práticas para cuidar de um gato infectado. Essa doença tem tratamento!


Sintomatologia clínica

Entre as diversas formas clínicas da esporotricose, incluem-se a cutânea (dividida em cutâneo-linfática, cutâneo localizada e cutâneo disseminada) e a extracutânea, como será discutido adiante.


Cutâneo-localizada: composta de uma única lesão, geralmente aparece no local de inoculação.


Cutâneo-linfática: caracteriza-se por um nódulo ulcerado que, geralmente, ocorre no sítio de inoculação. A partir dela, forma-se um cordão que segue pelo vaso linfático.


Cutâneo-disseminada: espalham-se por diversas regiões da pele. Esta forma costumar estar relacionada em pacientes imunodeprimidos.


A esporotricose é reconhecida pela presença de lesões cutâneas ulceradas após a introdução traumática do fungo. Geralmente, essas lesões começam como pequenos nódulos que evoluem para úlceras ou lesões que não cicatrizam. Em condições de imunossupressão, elas podem se disseminar pelo corpo do gato e até evoluir com acometimento ósseo, ocular ou até meningítica.


Os sintomas da esporotricose em felinos podem variar de acordo com a manifestação da doença. Gatos que lambem feridas infectadas em outras partes de seus corpos também podem transferir os fungos para outros locais.


Diagnóstico da esporotricose felina

O diagnóstico é feito baseado nos seguintes critérios: anamnese, exame físico e exames complementares. Alguns exames complementares podem incluir:

  • Cultura fúngica

  • Citologia

  • Exame histopatológico

  • ELISA

  • PCR

  • NGS (Sequenciamento de alto rendimento)

Tratamento da esporotricose em gatos

O tratamento imediato da esporotricose em gatos é fundamental para reduzir a carga fúngica e diminuir o risco de transmissão da esporotricose. O tratamento preferencial envolve um curso prolongado de itraconazol por via oral, demonstrando baixa mortalidade e morbidade a longo prazo. Consulte um médico veterinário.


Prevenção e Controle

As pessoas podem contrair esporotricose de gatos infectados mesmo que o gato não os arranhe ou morda. Algumas medidas importantes:

  1. Limite o contato entre gatos, especialmente aqueles que parecem doentes.

  2. Use equipamentos de proteção pessoal (luvas descartáveis, roupas de mangas compridas, máscara e proteção ocular) durante o manuseio de gatos doentes ou casos suspeitos

  3. Mantenha os gatos com esporotricose dentro de casa e longe de outros gatos para evitar mais transmissão.

Atenção: As informações fornecidas neste texto são de natureza informativa e não substituem a orientação e o diagnóstico de um médico veterinário qualificado. É fundamental que você consulte um profissional qualificado antes de iniciar qualquer tratamento ou intervenção terapêutica em seu animal de estimação. Priorize o bem-estar do seu animal e agende uma consulta com um médico veterinário qualificado. Ao buscar atendimento profissional, você estará proporcionando ao seu pet os cuidados adequados e garantindo sua saúde e qualidade de vida.


Sobre a autora

Dra Aline Santana é médica veterinária formada pela Universidade Federal de Viçosa, com residência em clínica médica de pequenos animais pela mesma instituição. Possui mestrado e doutorado em Ciências pelo Departamento de Clínica Médica da FMVZ/USP, com período de intercâmbio realizado no exterior (University of Minnesota, Estados Unidos). Desde 2012, Dra. Aline Santana é sócia da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV). Durante o período de 2015 a 2021, atuou como diretora de mídias e colaboradora da SBDV.


Atenção: Este texto é uma criação original e está protegido pela lei de direitos autorais. Todos os direitos estão reservados à autora, sendo proibida a reprodução, distribuição, exibição ou qualquer forma de uso sem a expressa autorização por escrito da autora. Qualquer uso não autorizado do conteúdo deste website constitui violação dos direitos autorais e estará sujeito a medidas legais. Caso você tenha interesse em utilizar este texto ou parte dele, por favor, entre em contato através do seguinte endereço de e-mail: dermaconecta@gmail.com


Referências

Ribeiro D S C, Machado L J, Pereira J G, Baptista A R S, da Rocha E M D S (2023) Laser therapy in the treatment of feline sporotrichosis: A case series. Braz J Vet Med 45, e005822 PubMed.


Barnacle J R, Chow Y J, Borman A M, Wyllie S, Dominguez V, Russell K, Roberts H, Armstrong-James D, Whittington A M (2022) The first three reported cases of Sporothrix brasiliensis cat-transmitted sporotrichosis outside South America. Med Mycol Case Rep 39, 14-17 PubMed.


Gremião I D F, Martins da Silva da Rocha E, Montenegro H, Carneiro A J B, Xavier M O, de Farias M R, Monti F, Mansho W, de Macedo Assunção Pereira R H, Pereira S A, Lopes-Bezerra L M (2021) Guideline for the management of feline sporotrichosis caused by Sporothrix brasiliensis and literature revision. Braz J Microbiol 52(1),107-124 PubMed.


Rossow J A, Queiroz-Telles F, Caceres D H, Beer K D, Jackson B R, Pereira J G, Ferreira Gremião I D, Pereira S A (2020) A One Health Approach to Combatting Sporothrix brasiliensis: Narrative Review of an Emerging Zoonotic Fungal Pathogen in South America. J Fungi (Basel) 6(4), 247 PubMed.

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