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Fistula perianal em cães: saiba tudo sobre essa doença

Atualizado: 29 de out. de 2023

O que é a fístula perianal canina?

A fístula perianal canina, também reportada como furunculose anal, é uma condição caracterizada pelo desenvolvimento espontâneo de lesões inflamatórias na região perianal de cães, sendo mais comum em pastores alemães.


Essas lesões podem variar em gravidade, começando como pequenos orifícios que tendem a progredir e aumentar de tamanho ao longo do tempo. Além disso, é frequente que essas lesões drenem líquido como exsudato ou pus.


Uma fístula, nesse contexto, refere-se a uma anormal conexão ou túnel que se forma entre tecidos que normalmente não estão conectados. Este fenômeno é o cerne da fístula perianal canina, levando a lesões dolorosas na região próxima ao ânus do animal.

fistula perianal caes
Crédito: Maina et al 2014. Perianal pruritus in dogs with skin disease. Veterinary Dermatology

Raças e idade

A raça Pastor Alemão é a mais predisposta a desenvolver fístulas perianais, mas outras raças de cães também podem ser afetadas. Algumas das raças reportadas são: Labrador, Border Collie, Setter Irlandês, entre outros.


As fístulas perianais são mais comuns em machos não castrados e ocorrem principalmente em cães de meia-idade.


O que causa a fístula perinal?

Até o momento, pouco se sabe sobre a origem precisa dessa doença complexa. No passado, acreditava-se que ela poderia estar associada a alguma malformação anatômica. A teoria era que a posição baixa da cauda criava um ambiente quente e úmido, contribuindo para uma inflamação crônica e infecção secundária nas glândulas perianais.


Contudo, em tempos mais recentes, uma abordagem diferente ganhou espaço. Agora é proposto que as fístulas perianais sejam uma doença imunomediada com forte componente genético associado, especialmente em cães da raça pastor alemão. Um estudo pioneiro que examinou o perfil imunológico de cães com fístulas perianais revelou que o desenvolvimento das fístulas perianais era resultado de uma inflamação local mediada pelas células T.


Há também ligações intrigantes com condições em humanos. Duas condições específicas, a hidradenite supurativa e a doença de Crohn fistulizante, têm sido apontadas como correlatas das fístulas perianais em cães. Assim como nas fístulas perianais caninas, ambas essas condições humanas são dolorosas e debilitantes, com potencial impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes. Essas associações com condições humanas nos incentivam a uma maior investigação das causas e tratamentos para as fístulas perianais em cães, podendo oferecer insights valiosos que beneficiem tanto os animais quanto os seres humanos.


Sintomatologia clínica

Os sinais clínicos vão depender da gravidade e tempo de lesão, mas comumente é observado:

  • Prurido perianal

  • Lambedura perianal

  • Dor perianal

  • Odor forte e malcheiroso

  • Descarga purulenta na região perianal

  • Constipação

  • Hematoquezia

  • Tenesmo

  • Diminuição do apetite

Diagnóstico

O diagnóstico é estabelecido por meio da avaliação dos sinais clínicos, anamnese, exames complementares e exclusão de outras possíveis causas. Um diagnóstico rápido e preciso, bem como uma terapia médica agressiva, são fundamentais para o sucesso no tratamento das fístulas perianais caninas.


As fístulas perianais são notavelmente visíveis e, em muitos casos, podem ser diagnosticadas apenas com base na apresentação clínica, especialmente em cães da raça pastor alemão. Contudo, é necessário descartar diversas condições para confirmar o diagnóstico de fístula perianal. Abscessos das glândulas anais, tumores das glândulas anais e tecidos adjacentes, bem como outras doenças autoimunes (como o lúpus) e inflamatórias podem apresentar sintomas semelhantes.


Além do minucioso exame da pele perianal, a avaliação física deve incluir um exame retal. Em alguns casos, pode ser necessário sedar o paciente, a depender de seu nível de conforto. Todos os pacientes devem ser avaliados em relação a possíveis estenoses anais, as glândulas anais devem ser palpadas cuidadosamente.


Tratamento

Existem várias abordagens para o tratamento e manejo das fístulas perianais. É importante ter em mente que o tratamento pode ser necessário por um período prolongado.


Antigamente, a intervenção cirúrgica era considerada a principal opção de tratamento.

A cirurgia geralmente incluía a ressecção de todo tecido acometido com ou sem remoção dos sacos anais. No entanto, muitos animais apresentavam recidência das fístulas perianais após a cirurgia. Além disso, também havia grande incidência de complicações cirúrgicas como deiscência dos pontos, incontinência fecal, etc.


Os procedimentos cirúrgicos incluíam a excisão cirúrgica, cauterização química, crioterapia e excisão a laser. A taxa de sucesso variava de 48% a 100%, dependendo do método empregado. No entanto, a taxa geral de recidência se aproximava dos 70%. Complicações cirúrgicas eram comuns, sendo a estenose anal relatada em até 15% dos casos e a incontinência fecal em até 27% dos casos.


Atualmente, os medicamentos imunosupressores são frequentemente prescritos para o tratamento de fístulas perianais em cães. Diferentes medicamentos, em várias combinações, podem ser indicados para abordar essa condição.


Uma ampla variedade de terapias imunossupressoras, tanto em monoterapia quanto em combinações de tratamentos, tem sido utilizada para tratar fístulas perianais. A maioria dos pacientes ira requerer tratamento com imunossupressores a longo prazo para manter a doença em remissão. Portanto, os efeitos colaterais da medicação devem ser avaliados e monitorados periodicamente.


Alguns dos medicamentos frequentemente usados incluem:

  • Ciclosporina

  • Prednisona

  • Tacrolimus


A terapia com agentes imunosupressores geralmente é dividida em duas fases: (1) a fase de indução e (2) a fase de manutenção.


Além do tratamento clínico com imunossupressores, a higienização adequada da área perianal é fundamental para evitar infecções secundárias. Pode-se utilizar um shampoo ou solução à base de clorexidina.


As fístulas perianais podem causar dor intensa e desconforto, e se não forem tratadas de forma adequada, podem levar a uma redução significativa na qualidade de vida do animal. Cães afetados podem também apresentar diarreia crônica, possivelmente relacionada a doença inflamatória intestinal. Essa condição demonstra notáveis semelhanças com a doença de Crohn em seres humanos.


Por último, alguns estudos tem relatado forte correlação da fístula perianal com alergia alimentar. Portanto, essa última condição deve ser investigada e considerada a implementação de uma mudança na dieta para uma dieta com proteínas hidrolisadas.


Perguntas frequentes da internet


Como tratar fístula perianal em cães?

Existem várias abordagens para o tratamento e manejo das fístulas perianais. Atualmente, os medicamentos imunosupressores são frequentemente prescritos para o tratamento de fístulas perianais em cães. Consulte um Médico Veterinário.


O que causa fístula perianal em cachorro?

Atualmente acredita-se que as fístulas perianais sejam uma doença imunomediada com forte componente genético associado, especialmente em cães da raça pastor alemão.


Atenção: As informações fornecidas neste texto são de natureza informativa e não substituem a orientação e o diagnóstico de um médico veterinário qualificado. É fundamental que você consulte um profissional qualificado antes de iniciar qualquer tratamento ou intervenção terapêutica em seu animal de estimação. Priorize o bem-estar do seu animal e agende uma consulta com um médico veterinário qualificado. Ao buscar atendimento profissional, você estará proporcionando ao seu pet os cuidados adequados e garantindo sua saúde e qualidade de vida.


Sobre a autora Dra Aline Santana é médica veterinária formada pela Universidade Federal de Viçosa, com residência em clínica médica de pequenos animais pela mesma instituição. Possui mestrado e doutorado em Ciências pelo Departamento de Clínica Médica da FMVZ/USP, com período de intercâmbio realizado no exterior (University of Minnesota, Estados Unidos). Desde 2012, Dra. Aline Santana é sócia da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV). Durante o período de 2015 a 2021, atuou como diretora de mídias e colaboradora da SBDV.


Atenção: Este texto é uma criação original e está protegido pela lei de direitos autorais. Todos os direitos estão reservados à autora, sendo proibida a reprodução, distribuição, exibição ou qualquer forma de uso sem a expressa autorização por escrito da autora. Qualquer uso não autorizado do conteúdo deste website constitui violação dos direitos autorais e estará sujeito a medidas legais. Caso você tenha interesse em utilizar este texto ou parte dele, por favor, entre em contato através do seguinte endereço de e-mail: dermaconecta@gmail.com


Referências

Cain CL. Canine Perianal Fistulas: Clinical Presentation, Pathogenesis, and Management. Vet Clin North Am Small Anim Pract. 2019 Jan;49(1):53-65. doi: 10.1016/j.cvsm.2018.08.006. Epub 2018 Sep 11. PMID: 30213533.


Burdzinska A, Galanty M, Więcek S, Dabrowski FA, Lotfy A, Sadkowski T. The Intersection of Human and Veterinary Medicine-A Possible Direction towards the Improvement of Cell Therapy Protocols in the Treatment of Perianal Fistulas. Int J Mol Sci. 2022 Nov 11;23(22):13917. doi: 10.3390/ijms232213917. PMID: 36430390; PMCID: PMC9696944.


Maina E, Galzerano M, Noli C. Perianal pruritus in dogs with skin disease. Vet Dermatol. 2014 Jun;25(3):204-e52. doi: 10.1111/vde.12127. Epub 2014 May 5. PMID: 24797215.


Lundberg A, Koch SN, Torres SMF. Local treatment for canine anal sacculitis: A retrospective study of 33 dogs. Vet Dermatol. 2022 Oct;33(5):426-434. doi: 10.1111/vde.13102. Epub 2022 Jul 22. PMID: 35866443; PMCID: PMC9545083.



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