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Oclacitinib, Ilunocitinib e Atinvicitinib: qual é o melhor?

há 2 dias
3 min de leitura

Atualizado: há 2 horas

Disclaimer: declaro não possuir conflitos de interesse relacionados aos fármacos abordados neste post.


Introdução

O desenvolvimento dos JAKi (inibidores das Janus quinases) trouxe novas possibilidades para o tratamento da dermatite atópica canina. Essas moléculas interferem na via JAK–STAT, inibindo a sinalização de diferentes citocinas envolvidas na resposta inflamatória, como IL-4, IL-5, IL-13, IL-31, entre outras.


Além do controle do prurido e da inflamação, o artigo menciona que a inibição da via JAK–STAT pode contribuir indiretamente para a reparação da barreira cutânea, ao reduzir a sinalização de citocinas como IL-4 e IL-13. Como essas citocinas podem comprometer a diferenciação dos queratinócitos e reduzir proteínas estruturais, como filagrina e loricrina, o bloqueio dessa sinalização pode ajudar a interromper a perpetuação da inflamação e favorecer a recuperação da barreira cutânea.


Oclacitinib

Perfil de ação: Inibidor não seletivo com ação predominante sobre a JAK1.


É o fármaco com maior experiência clínica acumulada (mais de 10 anos de uso), reunindo uma maior quantidade de dados sobre eficácia e segurança em longo prazo, além de apresentar início de ação rápido sobre o prurido.


A posologia é de 2x ao dia nos primeiros 14 dias, passando depois para 1x ao dia.  Os efeitos adversos relatados com maior frequência durante o tratamento foram infecções bacterianas, sinais gastrointestinais e otite externa. Recomenda-se o acompanhamento com hemograma e exames bioquímicos durante tratamentos prolongados.


Ilunocitinib

Perfil de ação: Atua sobre JAK1, JAK2 e TYK2.


A posologia é de 1x ao dia desde o primeiro dia. Nos estudos disponíveis, apresentou boa resposta no controle do prurido e das lesões, com manutenção da eficácia durante o acompanhamento.


Por ser uma molécula mais recente, ainda conta com uma quantidade mais limitada de dados sobre sua eficácia e segurança a longo prazo. Foi observada uma redução do número de glóbulos vermelhos, do hematócrito e dos eosinófilos em cães tratados com doses de 3 a 5 vezes a dose recomendada em bula. Por isso, recomenda-se monitorar o hemograma em tratamentos prolongados, especialmente em doses elevadas.


Atinvicitinib

Perfil de ação: Apresenta maior seletividade para JAK1 em relação às demais JAKs, conforme demonstrado em estudos in vitro.


A posologia é de 1 vez ao dia desde o primeiro dia. Os efeitos adversos relatados foram principalmente sinais gastrointestinais, anorexia, apatia e polidipsia.


Por ser uma molécula mais recente, ainda conta com uma quantidade mais limitada de dados sobre sua eficácia e segurança a longo prazo. Além disso, na data de publicação deste artigo, os autores ressaltaram que os estudos de eficácia ainda não haviam sido publicados em periódicos com revisão por pares.


Afinal, qual o melhor?

O artigo não elege um JAKi como melhor. Até porque não existe um “melhor”: cada molécula apresenta um perfil único de seletividade e posologia.


Lembrando que a escolha do fármaco é, e sempre deve ser, uma decisão clínica individualizada. Deve-se considerar o paciente , os objetivos terapêuticos, o grau e a extensão da inflamação, as eventuais comorbidades, os tratamentos concomitantes, a possibilidade de adesão ao tratamento, as particularidades de cada molécula, etc. Por fim, deve-se lembrar que a DAC continua sendo uma doença complexa e multifatorial, que exige uma abordagem multimodal e personalizada.


Conclusão

Seria fundamental a realização de novos estudos, especialmente comparativos e de longo prazo, para aprimorar a nossa compreensão do perfil de cada JAKi na rotina dermatológica.


Referência

E. Bensignor, P. Prélaud, E. Vidémont, Utilisation des inhibiteurs des Janus kinases en dermatologie vétérinaire, Revue Vétérinaire Clinique, 2026. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2214567226001043?dgcid=author


Sobre a autora

Dra Aline Santana é Médica Veterinária formada pela Universidade Federal de Viçosa, com residência em clínica médica de pequenos animais pela mesma instituição. Possui mestrado e doutorado em Ciências pelo Departamento de Clínica Médica da FMVZ/USP, com período de intercâmbio realizado no exterior (University of Minnesota, Estados Unidos). 

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