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Piodermite felina: últimas atualizações e tudo o que você precisa saber!

Atualizado: 30 de dez. de 2023

Piodermite em gatos

As piodermites em gatos são muito menos frequentes do que em cães, mas igualmente têm grande importância clínica. De acordo com um estudo da Universidade de Cornell, a piodermite representou 10% de todas as dermatopatias felinas atendidas no Hospital Veterinário. Já nos Hospitais Veterinários de Sydney a prevalência foi de 20% entre os gatos encaminhados aos serviços de dermatologia (referência abaixo).


O que é a piodermite felina?

As piodermites (“pio” = pus) nada mais são do que um processo de infecção na pele provocado por bactérias. A maior parte dos microrganismos que causam a piodermite em animais de estimação já está naturalmente presente na microbiota da pele desses animais.


No entanto, o problema ocorre quando há um desequilíbrio (disbiose) nessa microbiota desencadeado por uma condição subjacente como como alergias, distúrbios hormonais, infestações por parasitas, entre outras. Em outras palavras, essas condições propiciam a proliferação excessiva das bactérias que normalmente já habitam a pele.


Quais são as espécies de Staphylococcus que colonizam a pele dos gatos?

Em um estudo envolvendo 11 gatos saudáveis, foram coletadas amostras do conduto auditivo e da pele, e posteriormente realizado o sequenciamento de alto rendimento (NGS) utilizando a análise do gene 16S rRNA (região V1-V3).


Os resultados revelaram as seguintes espécies de Staphylococcus presentes na pele de gatos saudáveis:

  • S. epidermidis - 40% *

  • S. pseudointermedius - 27%

  • S. hominis - 11%

  • S. capitis - 8%

  • S. cohnii - 7%

  • S. auricularis - 5%

* As porcentagens indicam a abundância relativa da espécie de Stapylococcus


Fonte: Older et al 2021


Gatos saudáveis são predominantemente colonizados por S. epidermidis e S. pseudintermedius, enquanto S. capitis e S. felis são as espécies estafilocócicas mais prevalentes em gatos alérgicos. A composição das comunidades estafilocócicas, bem como a abundância relativa de Staphylococcus spp., varia entre as regiões do corpo e os gatos amostrados (diferença individual).


As espécies Staphylococcus aureus, S. pseudintermedius e S. felis estão frequentemente associadas a piodermite superficial em gatos (Cavana et al 2023).


Piodermite felina: quais são as causas?

Assim como a piodermite em cães, a piodermite felina frequentemente ocore como uma complicação secundária a doenças alérgicas, neoplasias, imunossupressão induzida por drogas, etc. Veja algumas das principais condições clínicas:

  • Alergias

  • Acne felina

  • Sarna demodécica

  • Distúrbios endócrinos: hipertireoidismo

  • Imunossupressão

  • Doenças fúngicas

  • FIV

  • FeLV (vírus da leucemia felina)

  • Infestação de pulgas

  • Pênfigo foliáceo

  • Alguns casos não têm uma causa subjacente identificável


Tipos de piodermites

As piodermites felinas podem ser caracterizadas em superficiais ou profundas de acordo coma camada cutânea onde ocorre o processo infeccioso. A piodermite profunda acomete as camadas profundas da pele (derme, subcutâneo). Elas podem acontecer principalmente caso a piodermite superficial não seja corretamente tratada.


Sintomatologia clínica

As lesões comumente associadas à piodermite incluem pápulas ou pústulas. Mas também podem:

  • Descamação excessiva

  • Eritema (vermelhidão)

  • Alopecia (falha do pelo)

  • Úlceras

  • Crostas

  • Colarinhos epidérmicos

  • Hiperpigmentação etc.


Como é diagnosticada a piodermite em gatos?

O diagnóstico de piodermite felina geralmente é baseado no histórico médico do animal,anamnese, exame físico e exames complementares. Exames complementares podemser necessários e geralmente incluem:

  • Citologia cutânea

  • Raspado de pele: para exclusão de sarnas como Demodex (sarna negra)

  • Cultura bacteriana e antibiograma

  • Cultura fúngica

  • Biópsia e exame histopatológico

  • Exames de sangue: fundamentais para investigar doenças endócrinas, como hipertireoidismo


Como é tratada a piodermite?

Como a piodermite frequentemente está associada a outras doenças, é fundamental que a causa de base (alergia, endocrinopatia, etc) seja adequadamente tratada.


A escolha do tratamento pode envolver o uso de antibióticos orais e/ou terapia tópica, dependendo da gravidade das lesões. A prescrição do antibiótico oral deve ser preferencialmente fundamentada na realização prévia de exames de cultura e antibiograma para identificação da bactéria e de seu perfil de sensibilidade. Essas informações auxiliam o clinico veterinário a eleger o melhor antibiótico.


Diretrizes recentes (Morris et al 2017), afirmam que a terapia tópica é a opção recomendada para casos de piodermite superficial, principalmente quanto localizada. O tratamento tópico inclui sprays, loções, xampus etc. Entre os agentes antibacterianos, a clorexidina se destaca por sua eficácia comprovada contra estafilococos, sendo uma biguanida com propriedades antissépticas e desinfetantes. Seu amplo espectro de ação engloba bactérias Gram-positivas e negativas, além de leveduras, incluindo a Malassezia.



Atenção: As informações fornecidas neste texto são de natureza informativa e não substituem a orientação e o diagnóstico de um médico veterinário qualificado. É fundamental que você consulte um profissional qualificado antes de iniciar qualquer tratamento ou intervenção terapêutica em seu animal de estimação. Priorize o bem-estar do seu animal e agende uma consulta com um médico veterinário. Ao buscar atendimento profissional, você estará proporcionando ao seu pet os cuidados adequados e garantindo sua saúde e qualidade de vida.



Sobre a autora do post

Dra Aline Santana é médica veterinária formada pela Universidade Federal de Viçosa, com residência em clínica médica de pequenos animais pela mesma instituição. Possui mestrado e doutorado em Ciências pelo Departamento de Clínica Médica da FMVZ/USP, com período de intercâmbio realizado no exterior (University of Minnesota, Estados Unidos). Desde 2012, Dra. Aline Santana é sócia da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV). Durante o período de 2015 a 2021, atuou como diretora de mídias e colaboradora da SBDV.


Atenção: Este texto é uma criação original e está protegido pela lei de direitos autorais. Todos os direitos estão reservados à autora, sendo proibida a reprodução, distribuição, exibição ou qualquer forma de uso sem a expressa autorização por escrito da autora. Qualquer uso não autorizado do conteúdo deste website constitui violação dos direitos autorais e estará sujeito a medidas legais. Caso você tenha interesse em utilizar este texto ou parte dele, por favor, entre em contato através do seguinte endereço de e-mail: dermaconecta@gmail.com


Referências:

Older CE, Diesel AB, Starks JM, Lawhon SD, Rodrigues Hoffmann A. Characterization of staphylococcal communities on healthy and allergic feline skin. Vet Dermatol. 2021 Feb;32(1):61-e10. doi: 10.1111/vde.12885. Epub 2020 Sep 29. PMID: 32991044.


Cavana P, Robino P, Stella MC, Bellato A, Crosaz O, Fiora SR, Nebbia P. Staphylococci isolated from cats in Italy with superficial pyoderma and allergic dermatitis: Characterisation of isolates and their resistance to antimicrobials. Vet Dermatol. 2023


Yu HW, Vogelnest LJ. Feline superficial pyoderma: a retrospective study of 52 cases (2001–2011). Vet Dermatol. 2012;23(5):448–e86.


Patel A, Lloyd DH, Howell SA, et al. Investigation into the potential pathogenicity of Staphylococcus felis in a cat. Vet Rec. 2002;150(21):668–669.


Loeffler A, Linek M, Moodley A, et al. First report of multiresistant mecA-positive Staphyloccus intermedius in Europe: 12 cases from a veterinary dermatology referral clinic in Germany. Vet Dermatol. 2007;18(6):412–421.


Wildermuth BE, Griffin CE, Rosenkrantz WS. Feline pyoderma therapy. Clin Tech Small Anim Pract. 2006;21(3):150–156.


Beco L, Guaguere E, Lorente Mendez C, et al. Suggested guidelines for using systemic antimicrobials in bacterial skin infections: part 2 - antimicrobial choice, treatment regimens and compliance. Vet Rec. 2013;172(6):156–160.

Scott DW, Miller WH, Erb HN. Feline dermatology at Cornell University: 1407 cases (1988–2003). J Feline Med Surg. 2012; 15: 307– 16.



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