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Piodermite em cães: causas e novos tratamentos

Atualizado: 16 de ago. de 2023

O que é a piodermite canina?

As piodermites (“pio” = pus) são uma das principais causas de dermatopatias em cães. Elas nada mais são do que um processo de infecção na pele provocado por bactérias.


A maior parte dos microrganismos que causam a piodermite em animais de estimação já está naturalmente presente na microbiota da pele desses animais. No entanto, o problema ocorre quando há um desequilíbrio (disbiose) nessa microbiota.


A bactéria Staphylococcus pseudintermedius, que faz parte da microbiota da pele, é a principal bactéria isolada nos casos de piodermite. O crescimento excessivo dessa bactéria pode levar à ruptura da barreira cutânea e subsequente infecção bacteriana.



piodermite caes
Piodermite canina

O que causa piodermite em cães?

As piodermites podem ser primárias ou secundárias, sendo essas últimas as mais comuns. A maioria dos quadros de piodermite são secundárias a uma variedade de outras condições como:

  • Alergias ( a pulgas, atopia ou alergias alimentares)

  • Doenças parasitárias causadas por ácaros Sarcoptes ou Demodex

  • Doenças fúngicas

  • Seborreia

  • Doença endócrina como hipotireoidismo ou doença de Cushing (HAC)

  • Distúrbios imunológicos

  • Imunossupressão, etc.

Além disso, áreas quentes e úmidas da pele como dobras labiais, dobras faciais, axilas, geralmente apresentam contagens bacterianas mais altas do que outras áreas e apresentam maior risco de infecção bacteriana. Pontos de pressão, como cotovelos, também são mais propensos a infecções devido à pressão repetida.


Tipos de piodermites

As piodermites podem ser caracterizadas em superficiais ou profundas de acordo com a camada cutânea onde ocorre o processo infeccioso. A piodermite profunda acomete as camadas inferiores da pele (derme, subcutâneo). Elas podem acontecer principalmente caso a piodermite superficial não seja corretamente tratada.


Piodermites superficiais:

  • impetigo

  • piodermite esfoliativa

  • foliculite bacteriana

  • dermatite piotraumática

  • piodermite mucocutânea

Piodermites profundas:

  • foliculite-furunculose-celulite

  • piodermite interdigital

  • piodermite mentoniana

  • piodermite nasal


Sintomatologia clínica

As lesões comumente associadas à piodermite incluem pápulas ou pústulas. Mas também podem ocorrer crostas, descamação, eritema, alopecia, colarinhos epidérmicos, hiperpigmentação etc.


Como é diagnosticada a piodermite?

O diagnóstico de piodermite geralmente é baseado no histórico médico do animal, anamnese, exame físico e exames complementares. Exames complementares podem ser necessários e geralmente incluem:

  • Citologia cutânea

  • Raspado de pele: para exclusão de sarnas como Sarcoptes scabiei (sarna vermelha) ou Demodex (sarna negra)

  • Cultura bacteriana e antibiograma

  • Cultura fúngica

  • Biópsia e exame histopatológico

  • Exames de sangue: fundamentais para investigar doenças endócrinas, como hipotireoidismo ou hiperadrenocorticismo (doença de Cushing).


Como é tratada a piodermite?

Como a piodermite geralmente está associada a outras doenças, é fundamental que a causa de base (alergia, endocrinopatia, etc) seja devidamente tratada.


A escolha do tratamento pode se basear em antibióticos orais e/ou terapia tópica, a depender da gravidade da lesão.


A prescrição do antibiótico oral deve ser preferencialmente fundamentada na realização prévia de exames de cultura e antibiograma para identificação da bactéria e de seu perfil de sensibilidade. Essas informações auxiliam o clinico veterinário a eleger o melhor antibiótico. No manejo das piodermites, superficiais ou profundas, o período mínimo de terapia antibiótica oral é de 3 a 12 semanas a depender do quadro clínico e resposta terapêutica. Outra recomendação geral quanto ao tempo de tratamento da piodermite superficial é tratar cada episódio infeccioso por sete a dez dias adicionais após a resolução clínica.


A duração do tratamento de qualquer episódio de infecção também é importante a considerar. Não tratar uma infecção por um período de tempo adequado resultará em recorrência frequente. Os principais antimicrobianos utilizados para o tratamento da piodermite canina são:

ATB

Classe

Atividade antimicrobiana

Cefalexina

cefalosporina

Bactericida

Amoxicilina/ Clavulanato de potássio

beta lactâmico penicilina

Bactericida

Enrofloxacina

quinolona

Bactericida

A Cefalexina é considerado um antibiótico de primeira escolha porque comumente apresenta elevada eficácia e baixos efeitos colaterais.


Efeitos colaterais da terapia sistêmica: Embora raros, podem ocorrer efeitos adversos da antibioticoterapia. Os sintomas mais comuns são náuseas, vômitos e diarreia.


Diretrizes recentes (Morris et al 2017), afirmam que a terapia tópica é a opção recomendada para casos de piodermite superficial. O tratamento tópico inclui sprays, loções, xampus etc. A terapia tópica é a modalidade de eleição para o tratamento de piodermites de superfície e superficiais. Os principais ativos são:

  • Clorexidine

  • Peróxido de benzoíla

  • Hipoclorito de sódio

Agentes antibacterianos com eficácia antiestafilocócica comprovada incluem principalmente clorexidina e peróxido de benzoíla. O clorexidine é uma biguanida de ações antisséptica e desinfetante com espectro de ação abrangendo bactérias Gram positivas e negativas , leveduras incluindo Malassezia. Há evidências de que o hipoclorito de sódio é anti-estafilocócico e eficaz contra MRSP.


Se as alergias forem a causa subjacente, anti-histamínicos ou doses mais baixas de esteróides ou outras terapias anti-pruriginosas podem ser usados ao mesmo tempo.


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Staphylococcus pseudintermedius Resistente à Meticilina (MRSP)

Nos últimos anos, o Staphylococcus pseudintermedius resistente à meticilina (MRSP) tornou-se o principal patógeno bacteriano multirresistente (MDR) em infecções cutâneas em cãess Quer saber mais sobre MRSP? Acesse o link abaixo: https://www.dermaconecta.com.br/post/staphylococcus-pseudintermedius


Qual é o prognóstico para as piodermites?

O prognóstico para piodermites é em geral favorável. Casos crônicos ou recorrentes podem exigir testes adicionais para determinar se há uma condição subjacente que contribui para a infecção bacteriana da pele.


Referências

Borio S, Colombo S, La Rosa G et al. Effectiveness of a combined (4% chlorhexidine digluconate shampoo and solution) protocol in MRS and non-MRS canine superficial pyoderma: a randomized, blinded, antibiotic-controlled study. Vet Dermatol 2015; 26: 339-344


Hillier A, Lloyd DH, Weese SJ et al. Guidelines for the diagnosis and antimicrobial therapy of canine superficial bacterial folliculitis (Antimicrobial Guidelines Working Group of the International Society for Companion Animal Infectious Diseases). Vet Dermatol 2014; 25: 163-175.


Morris D.O., Loeffler A., Davis M.F., Guardabassi L., Weese J.S. Recommendations for approaches to meticillin-resistant Staphylococcalinfections of small animals: Diagnosis, therapeutic considerations and preventative measures. Clinical Consensus Guidelines of the World Association for Veterinary Dermatology. Vet. Dermatol. 2017;28:304-e69.


Sobre a autora

Dra Aline Santana é médica veterinária formada pela Universidade Federal de Viçosa, com residência em clínica médica de pequenos animais pela mesma instituição. Possui mestrado e doutorado em Ciências pelo Departamento de Clínica Médica da FMVZ/USP, com período de intercâmbio realizado no exterior (University of Minnesota, Estados Unidos). Desde 2012, Dra. Aline Santana é sócia da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV). Durante o período de 2015 a 2021, atuou como diretora de mídias e colaboradora da SBDV.


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