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Piodermite canina: como tratar?

Atualizado: 26 de dez. de 2023


Introdução

A piodermite é um das dermatopatias mais diagnosticadas em cães. Seu principal agente etiológico é o Staphylococcus pseudointermedius que é considerada uma bactéria comensal e oportunista. Além do S. pseudointermedius, outras espécies de bactérias, como Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli também podem estar envolvidas nos quadros de piodermite em cães.


O que causa a piodermite canina?

Normalmente os quadros de piodermite ocorrem de maneira secundária a outras doenças cutâneas como:


  • Alergias (alergia alimentar, dermatite atópica, DAPP)

  • Doenças endócrinas (hipotiroidismo, HAC)

  • Doenças fúngicas

  • Doenças autoimunes (pênfigo foliáceo)

  • Distúbios de queratinização (seborreia)

  • Doenças parasitárias (sarna negra, sarna vermelha)

  • Dentre outras

Como tratar a piodermite canina?

Primeiro, é fundamental que a causa de base (alergia, doença endócrina, etc) seja devidamente diagnosticada e tratada. Porque a vasta maioria dos quadros de piodermite canina são de origem secundária e se a causa de base não for corrigida, a piodermite pode se perpetuar ou recidivar após seu tratamento.


Atenção: O tratamento bem-sucedido e a prevenção de recorrências de piodermites dependem da identificação e tratamento de qualquer comorbidade subjacente. Além disso, a correta identificação da causa de base ajudar a evitar a resistência bacteriana por uso prolongado de antimicrobianos.

piodermite canina
Piodermite canina

Tratamento tópico x Tratamento oral

A piodermite em si pode ser tratada de maneira tópica e/ou oral, dependendo da gravidade e extensão das lesões cutâneas. O atual aumento da resistência antimicrobiana tem levado a um uso mais criterioso de medicamentos antimicrobianos sistêmicos. Segundo o último guideline (Morris et al 2017), a orientação é que a terapia tópica com eficácia antiestafilocócica comprovada deva ser sempre considerada como modalidade de eleição no tratamento de piodermites superficiais.


Tratamento tópico da piodermite canina

A terapia tópica pode ser o único tratamento antibacteriano e o sucesso do tratamento depende da frequência de aplicação, tempo de contato, duração da terapia, escolha do ingrediente ativo, adesão do tutor e identificação e tratamento da causa subjacente.


O tratamento tópico inclui sprays, loções, xampus, pomadas, mousses, géis e lenços umedecidos. O uso de xampus é uma das modalidades mais comumente recomendadas para a piodermatite superficial canina, pois pode tratar grandes áreas de pele totalmente coberta por pelos. Os principais ativos recomendados são:


  • Clorexidine ( 2 a 4%)

  • Peróxido de benzoíla (2 a 3%)

  • Hipoclorito de sódio


A frequência da terapia com xampu dependerá de cada caso. Em geral, a aplicação de xampu de 2 a 3 vezes por semana pode ser o ideal, especialmente para pacientes com infecções generalizadas por Staphylococcus resistente à meticilina e/ou multidrogas. Além disso, é importante que o xampu permaneça em contato com a pele por pelo menos 5 minutos. Já os mousses e sprays podem ser deixados secar naturalmente e não requerem enxágue.


Clorexidine é uma biguanida de ações antisséptica e desinfetante com espectro de ação abrangendo bactérias Gram positivas e negativas , leveduras incluindo Malassezia. Há evidências de que o hipoclorito de sódio é anti-estafilocócico e eficaz contra MRSP.


Peróxido de benzoíla a 2,5% a 3% possui atividade antimicrobiana, ceratolítica, comedolítica, anti-inflamatória e desengordurante. Porém, em alguns cães, pode causar ressecamento e irritação na pele.



Antibióticos tópicos podem ser uma opção para lesões localizadas e estão disponíveis na forma de géis, pomadas e cremes. Algumas opções incluem: mupirocina, gentamicina, ácido fusídico, etc. O ácido fusídico é altamente eficaz contra S. pseudintermedius.


Tratamento sistêmico da piodermite canina

O tratamento sistêmico é principalmente relacionado com a prescrição de antibióticos. Se após avaliação médica for constatado que o uso de terapia tópica não é suficiente, seja pela gravidade ou grande extensão das lesões, a terapia baseada em antibióticos orais pode ser prescrita.


Dentre os antibóticos, a cefalexina e outras cefalosporinas como amoxicilina com ácido clavulânico são consideradas "antibióticos de primeira escolha", com base em considerações como eficácia, perfil de segurança, custo e resistência bacteriana.


Cefalexina é considerado um antibiótico de primeira escolha porque comumente apresenta elevada eficácia e baixos efeitos colaterais. Efeitos colaterais da terapia sistêmica: Embora raros, podem ocorrer efeitos adversos da antibioticoterapia. Os sintomas mais comuns são náuseas, vômitos e diarreia. A dose sugerida é de 15-30 mg/kg, por via oral, a cada 12 horas.


A duração do tratamento de qualquer episódio de infecção também é importante a considerar. Não tratar uma infecção por um período de tempo adequado resultará em recorrência frequente.


Tratamento de piodermite por MRSP

Quando a resistência bacteriana é confirmada, o tratamento costuma ser mais desafiador e a escolha empírica do antibiótico não é recomendada. Deve-se solicitar cultura e antibiograma. Antibióticos de segunda ou terceira geração podem incluir quinolonas, como a enrofloxacina ou ciprofloxacina.




Devido ao aumento da resistência antimicrobiana, a terapia antimicrobiana tópica é uma alternativa benéfica à terapia sistêmica que pode ser implementada como terapia única ou terapia complementar.


Tratamento da piodermite canina: muito além dos antibióticos

A piodermite é um das dermatopatias mais diagnosticadas em cães. Atualmente, o tratamento das piodermites representa um grande desafio aos clínicos em decorrência dos crescentes casos de estafilococos resistentes à meticilina (MRS).


O aumento da prevalência de cepas multirresistentes tem gerado uma demanda pela descoberta de novas alternativas terapêuticas.



Compostos naturais à base de plantas

Os compostos naturais à base de plantas têm despertado interesse entre pesquisadores e especialistas em dermatologia veterinária como possíveis alternativas de compostos antimicrobianos.


Folhas de bétel: ação antibacteriana

Um estudo recente demonstrou que o extrato das folhas de bétel (Piper betle), uma planta cultivada em países da Ásia, possui atividade antibacteriana contra uma variedade de bactérias Gram-negativas e Gram-positivas.


Folhas de bétel: ação in vitro

Foi observado que a eficácia antibacteriana in vitro do extrato de folha de bétel foi superior à do ácido azeláico e do peróxido de benzoíla, compostos conhecidos por sua atividade bactericida.


A atividade do extrato de folha de betel contra os isolados clínicos de Staphylococcus pode ser atribuída a compostos fitoquimicamente ativos, como o eugenol.


Solução promissora

Mais estudos são necessários para avaliar o espectro microbiano, toxicidade, formulação do produto, estabilidade e eficácia clínica antes da aplicação do extrato de folha de betel no tratamento da piodermite canina. O uso de compostos naturais pode ser uma alternativa promissora para o tratamento de piodermites em cães.


Perguntas frequentes da internet


Como tratar uma piodermite canina?

A piodermite canina pode ser tratada de maneira tópica e/ou oral, dependendo da gravidade e extensão das lesões cutâneas. O atual aumento da resistência antimicrobiana tem levado a um uso mais criterioso de medicamentos antimicrobianos sistêmicos.


O que causa a piodermite canina?

Doenças alérgicas como dermatite atópica canina, dermatofitose, pênfigo foliáceo, sarnas, etc.


O que pode causar a piodermite?

As piodermites caninas geralmente são causadas por alergias, dermatites fúngicas, doenças imunomediadas, etc.


Qual a diferença entre piodermite e dermatite?

A piodermite é uma infecção bacteriana da pele, enquanto a dermatite é uma inflamação não necessariamente infecciosa da pele, podendo ser causada por várias razões, como alergias, sarnas,condições autoimunes,etc.


Quais os sintomas da piodermite canina?

Normalmente os sintomas da piodermite são alopecia, pústulas, descamação cutânea e eritema.


Qual o melhor antibiótico para infecção na pele do cachorro?


Atenção: As informações fornecidas neste texto são de natureza informativa e não substituem a orientação e o diagnóstico de um médico veterinário qualificado. É fundamental que você consulte um profissional qualificado antes de iniciar qualquer tratamento ou intervenção terapêutica em seu animal de estimação. Priorize o bem-estar do seu animal e agende uma consulta com um médico veterinário qualificado. Ao buscar atendimento profissional, você estará proporcionando ao seu pet os cuidados adequados e garantindo sua saúde e qualidade de vida.


Sobre a autora  

Dra Aline Santana é médica veterinária formada pela Universidade Federal de Viçosa, com residência em clínica médica de pequenos animais pela mesma instituição. Possui mestrado e doutorado em Ciências pelo Departamento de Clínica Médica da FMVZ/USP, com período de intercâmbio realizado no exterior (University of Minnesota, Estados Unidos). Desde 2012, Dra. Aline Santana é sócia da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV). Durante o período de 2015 a 2021, atuou como diretora de mídias e colaboradora da SBDV.


Atenção: Este texto é uma criação original e está protegido pela lei de direitos autorais. Todos os direitos estão reservados à autora, sendo proibida a reprodução, distribuição, exibição ou qualquer forma de uso sem a expressa autorização por escrito da autora. Qualquer uso não autorizado do conteúdo deste website constitui violação dos direitos autorais e estará sujeito a medidas legais.


Referências

Morris DO, Loeffler A, Davis MF, Guardabassi L, Weese JS. Recommendations for approaches to meticillin-resistant staphylococcal infections of small animals: diagnosis, therapeutic considerations and preventative measures: Clinical Consensus Guidelines of the World Association for Veterinary Dermatology. Vet Dermatol. 2017;28(3):304–e69. doi:10.1111/vde.12444


Hillier A, Lloyd DH, Weese JS, et al. Guidelines for the diagnosis and antimicrobial therapy of canine superficial bacterial folliculitis (Antimicrobial Guidelines Working Group of the International Society for Companion Animal Infectious Diseases). Vet Dermatol. 2014;25(3):163–e43. doi:10.1111/vde.12118


Borio S, Colombo S, La Rosa G, De Lucia M, Damborg P, Guardabassi L. Effectiveness of a combined (4% chlorhexidine digluconate shampoo and solution) protocol in MRS and non-MRS canine superficial pyoderma: a randomized, blinded, antibiotic-controlled study. Vet Dermatol. 2015;26(5):339-344, e72. doi:10.1111/vde.12233


Santoro D. Topical therapy for canine pyoderma: what is new? JAVMA. 2023;261(suppl 1):S140-S148. doi:10.2460/javma.23.01.0001

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