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Dermatite Atópica Canina: A importância do diagnóstico clínico

Atualizado: 7 de fev.

A Dermatite Atópica é uma das doenças alérgicas mais comum nos cães. Sabemos também que, fruto de uma aproximação do cão ao Homem e ao seu modo de vida cada vez mais “higiênico”, a prevalência da Dermatite Atópica Canina (DAc) tenderá muito provavelmente a aumentar.


A importância da anamnese e avaliação clínica

O correto diagnóstico da DAc é, portanto, de extrema importância na prática clínica diária. Para isso, não são necessários exames complementares de diagnóstico complexos, mas sim uma boa avaliação da história pregressa e um exame físico completo e detalhado.


O sinal clínico mais importante na DAc é o prurido, sendo essencial reconhecer todas as suas manifestações, como sejam lamber, morder ou esfregar.


Informações como a idade de início dos sintomas, o ambiente em que o animal vive, a sazonalidade do problema dermatológico ou mesmo a resposta ao tratamento com glicocorticóides são igualmente úteis para aumentarmos a nossa confiança no diagnóstico.


Exame dermatológico

Segue-se um exame dermatológico atento e cuidadoso que nos permite identificar as áreas do corpo mais acometidas, como a região periocular, a zona perilabial e a face interna dos pavilhões auriculares; as axilas, as virilhas e a zona abdominal ventral; as zonas flexoras dos membros e as extremidades podais; ou a zona perineal.

DERMATITE ATOPICA CANINA

Imagem: Unplash


O prurido pode surgir em primeiro lugar, sem quaisquer lesões cutâneas. Contudo, as lesões eritematosas e as pápulas, associadas muitas vezes a alopécia auto-induzida, são as mais frequentes, podendo surgir outras de carácter mais crônico como a hiperpigmentação e a liquenificação. Colaretes, pústulas, crostas e seborreia podem ocorrer em casos de infecção bacteriana e/ou fúngica secundária.


Diagnóstico diferencial da DAC

Depois de recolhida toda esta informação, é necessário excluir outras condições dermatológicas com sintomas semelhantes ou que possam exacerbar o quadro clínico, como as provocadas por ectoparasitas, a dermatite alérgica à picada da pulga, as reações adversas ao alimento, a dermatite por Malassezia e a piodermite.


Critérios de Favrot

Adicionalmente, a aplicação dos critérios clínicos conhecidos como “Critérios de Favrot”, baseados na história clínica e no exame dermatológico já realizados, permitem chegar a um diagnóstico de DAc com uma especificidade de 83% e uma sensibilidade de 77%.



“Testes de alergia”

Por fim, o diagnóstico pode ser ainda confirmado através da avaliação da reatividade cutânea, determinada através da realização de testes intradérmicos e/ou de doseamento de IgE específicas circulantes.


Estes serão, pois, essenciais para um diagnóstico etiológico, com vista à aplicação de medidas de evicção alérgica e à formulação de uma imunoterapia alergénio-específica.


Contudo, é importante não esquecer que os tão famosos “testes de alergia” só têm utilidade e relevância se todo o protocolo de diagnóstico anterior tiver sido rigorosamente aplicado.


O diagnóstico da DAc é apenas clínico e de exclusão! Não é possível chegarmos ao diagnóstico final sem passarmos pela “casa de partida”: a coleta dos dados clínicos do animal e o estudo do seu quadro lesional.



Sobre a autora do texto

Médica Veterinária Daniela Matias. A Dra Daniela acumula 10 anos de experiência em Clínica de Animais de Companhia, com ênfase em Dermatologia e Alergologia veterinária. Sua carreira inclui:


* Foi membro do corpo clínico do Hospital Escolar da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa (FMV-ULisboa), com atuação na área de Dermatologia.

* Concluiu, em 2019, a pós-graduação em Dermatologia de Pequenos Animais pela Improve International, tendo recebido o General Practitioner Certificate in Dermatology pela European School of Veterinary Postgraduate Studies.

* Desde 2021, é Secretária do Grupo de Interesse de Imunoalergologia Comparada e Veterinária da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, onde atua como colaboradora ativa.

* Atualmente cursa seu doutorado na Universidade de Évora e trabalha com Dermatologia e Alergologia em pequenos animais, oferecendo consultas de primeira e segunda opinião, bem como consultas de referência.



Atenção: Este texto é uma criação original e está protegido pela lei de direitos autorais. Todos os direitos estão reservados à autora, sendo proibida a reprodução, distribuição, exibição ou qualquer forma de uso sem a expressa autorização por escrito da autora. Qualquer uso não autorizado do conteúdo deste website constitui violação dos direitos autorais e estará sujeito a medidas legais.


Referências

Favrot C et al. A prospective study on the clinical features of chronic canine atopic dermatitis and its diagnosis. Vet Dermatol. 2010; 21(1):23-31.


Hensel et al. Canine atopic dermatitis: detailed guidelines for diagnosis and allergen identification. BMC Vet Res. 2015; 11:196. doi: 10.1186/s12917-015-0515-5


Marsella R & De Benedetto A. Atopic Dermatitis in Animals and People: An Update and Comparative Review. Vet Sci. 2017; 4(3):37. doi: 10.3390/vetsci4030037.


Martins L et al. Veterinary allergy diagnosis: past, present and future perspectives. Allergo Journal Int. 2016; 25(8):20-32. doi:10.1007/s15007-016-1241-4.


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